BRASIL

Médicos, cientistas e enfermeiros dizem que fala de Bolsonaro é "criminosa"

25 Mar de 2020 do YacoNews
Do UOL

Ao menos 11 entidades médicas, científicas e de enfermagem reagiram negativamente hoje ao pronunciamento de ontem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que defendeu ontem à noite retomar atividades escolares e comércios, apesar da pandemia do novo coronavírus e contrariando recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do próprio Ministério da Saúde. 

Uma nota assinada por sete associações chama as falas do presidente de "incoerente e criminosa", cita um artigo do Código Penal Brasileiro que Bolsonaro teria violado e classifia de "discurso da morte" os pedidos presidenciais.

O sr. Jair Bolsonaro nega o conjunto de evidências científicas que vem pautando o combate à pandemia do covid-19 em todo o mundo, desvalorizando o trabalho sério e dedicado de toda uma rede nacional e mundial de cientistas e desenvolvedores de tecnologias em saúde".
Nota conjunta assinada por sete entidades de saúde 

O comunicado aponta também ainda possível crime cometido pelo presidente, a "infração de medida sanitária preventiva" que consta no Código Penal Brasileiro.

O artigo diz que é crime: 

"Art.268 - Infringir determinação do poder público destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa: 

Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa." 

Na nota, as entidades de "saúde coletiva e da bioética consideram intolerável e irresponsável o 'discurso da morte' feito pelo Presidente da República".

Essa nota é assinada por: 

Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) 

Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (Cebes) 

Associação Brasileira de Economia da Saúde (ABrES) 

Associação Brasileira da Rede Unida Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) 

Associação Paulista de Medicina (APM) 

Sociedade Brasileira de Bioética (SBB) 

Segundo as entidades de saúde, o "pronunciamento perverso" de Bolsonaro "pode resultar em mais sofrimento e mortes na já tão sofrida população brasileira, particularmente entre os segmentos vulneráveis da sociedade".

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