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Justiça do AC analisa pedido de prisão domiciliar para ex-coronel do 'Crime Motosserra'

09 de Outubro de 2019 YACONEWS
Por Aline Nascimento, G1 AC
A defesa do ex-deputado federal Hildebrando Pascoal, de 66 anos, aguarda o julgamento de um pedido de prisão domiciliar feito à Justiça acreana. O ex-coronel retornou para o presídio no último dia 12 e o primeiro pedido para que ele voltasse a cumprir a pena em casa foi feito logo após o retorno.

O Ministério Público do Acre (MP-AC) entrou com um recurso contra a liminar que mantinha a prisão domiciliar do ex-coronel.

No último dia 17, a direção do Presídio de Segurança Máxima Antônio Amaro, em Rio Branco, onde Pascoal está preso, informou que a unidade não possui uma estrutura adequada para atender as necessidades físicas do ex-coronel.

Ao G1, a assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) confirmou que o pedido está na Vara de Execuções Penais do Acre, após passar pelo Ministério Público do Acre (MP-AC), mas que ainda não há nenhuma decisão. Porém, a Justiça deve dar um posicionamento sobre a solicitação nos próximos dias.

Saúde fragilizada

A advogada de Pascoal, Kely Pessoa, contou ao G1 que a saúde do ex-coronel piorou após o retorno para o presídio. Ela acrescentou que o cliente sofre com uma doença degenerativa nos ossos e precisa fazer fisioterapia e hidroginástica diariamente.

“O diretor da penal já disse que lá não tem condições e está cada dia pior. Na casa dele tem pessoas para dar a medicação na hora certa, lá não tem. O que usa para se locomover é uma bengala e está com esse problema de doença. Ele vai morrer e alguém vai ser responsabilizado”, criticou.

Kely relatou também que há dias em que Pascoal grita de dor por causa da doença. Em outras vezes, o ex-deputado federal precisa tomar remédio para dormir e não sentir dores.

“Está há 15 dias sem tomar medicação direito, porque lá não tem uma pessoa própria para isso. O diretor disse que ele não se aguenta levantar para ir ao banheiro, precisa de uma pessoa para ajudar e lá não tem”, complementou.

Ainda segundo a advogada, um segundo pedido para que Pascoal retorne para casa foi feito recentemente. Ela diz que o processo tem todos os laudos dos especialistas falando sobre o quadro de saúde do preso.

“Tem uma doença degenerativa dos ossos, então, precisa de atividades físicas como estava fazendo. Tem que estar no fisioterapeuta todos os dias, como estava sendo feito. A única saída dele era para os médicos e a Justiça acompanhava”, concluiu.

Histórico

Acusado de chefiar um grupo de extermínio no Acre, Hildebrando Pascoal estava cumprindo pena em Rio Branco por tráfico, tentativa de homicídio e corrupção eleitoral. Em 2009, ele foi condenado pela morte de Agilson Firmino, o 'Baiano', caso que ficou conhecido popularmente como 'Crime da Motosserra'. As todas as condenações somam mais de 100 anos.

Hildebrando Pascoal Nogueira Neto nasceu em 17 de janeiro de 1952, na capital acreana. Fez carreira na Polícia Militar e chegou a ser comandante.

Em 1994, elegeu-se deputado estadual pelo PFL e exerceu o mandato entre 1995 e 1999. Nas eleições de 1998, conquistou o cargo de deputado federal, mas não chegou a cumprir nem um ano do mandato.

Após diversas denúncias contra Hildebrando Pascoal na Justiça do Acre, o Congresso formou uma comissão parlamentar de inquérito em abril de 1999, chamada CPI do Narcotráfico.

A CPI e o Ministério Público investigavam a existência de um grupo de extermínio no Acre, com a participação de policiais, e que seria comandado por Hildebrando Pascoal. O grupo também era acusado de tráfico de drogas.

A principal acusação contra o então deputado durante a CPI era de que ele teria sido mandante do assassinato em 1997 de pessoas que testemunhariam contra ele. Hildebrando foi apontado como responsável pelas mortes dos policiais Walter José Ayala, Jonaldo Martins, Sebastião Crispim da Silva e do mecânico Agilson Santos Firmino, o Baiano.

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