SAÚDE

Campanha Setembro amarelo: o que é, como surgiu, objetivo e mais

02 de set set 2019 YacoNews




Setembro amarelo é uma campanha do Centro de Valorização da Vida que busca trazer o diálogo sobre o suicídio para a sociedade. Desde 2015 o mês busca a conscientização e a prevenção do suicídio.

No mundo todo, aproximadamente uma pessoa se mata a cada 40 segundos. Só no Brasil, o suicídio é a quarta causa mais comum de morte de jovens. O assunto é um tabu. Não falamos dele. A mídia evita por medo de aumentar os números, as pessoas evitam por medo do assunto em si e com isso, acabamos cortando o diálogo necessário.

Por que o Setembro amarelo é importante?
O Setembro Amarelo é uma campanha que busca trazer o diálogo e prevenir o suicídio. 90% dos suicídios poderia ser evitado com ajuda psicológica. A maioria deles é causada por doenças mentais que não são tratadas porque muita gente nem sabe que precisa de tratamento. Aproximadamente 60% das pessoas que morrem por suicídio não buscam ajuda.

Já pensou se isso se aplicasse a outras doenças? Imagine se 60% das pessoas com fraturas não fosse ao médico ou se 60% dos pacientes com apendicite não se tratasse e você vai perceber que é estranho que tanta gente não busque ajuda. Isso porque nós, como sociedade, não falamos do assunto, não informamos as pessoas.

Cerca de 17% dos brasileiros já pensou seriamente em suicídio. 4,8% deles já elaboraram um plano para isso.
Como surgiu o Setembro Amarelo?
A cor amarela é usada para representar o mês da prevenção do suicídio por causa de Dale Emme e Darlene Emme. O casal foi o início do programa de prevenção de suicídio “fita amarela”, ou “Yellow Ribbon” em inglês.

Em 1994, Mike Emme, filho do casal, com apenas 17, se matou. Mike era conhecido por sua personalidade caridosa e por sua habilidade mecânica. Restaurou um Mustang 68 e o pintou de amarelo. Mike amava aquele carro e por causa dele começou a ser conhecido como “Mustang Mike”.

Entretanto, infelizmente, aqueles próximos de Mike não viram os sinais e o fim da vida do garoto chegou. No dia do funeral dele, uma cesta de cartões com fitas amarelas presas a eles estava disponível para quem quisesse pegá-los. Os 500 cartões e perceber os menores sinais pode fazer a diferença
Muitas vezes, o diálogo até acontece, porém quem ouve pode não estar preparado e não sabe como reagir quando ouve uma pessoa falar que não tem mais vontade de viver e que, muitas vezes, tem vontade de tirar a própria vida. Quando não estamos preparados, podemos não dar a atenção devida a essa fala tão séria.

Além de não ignorar esse tipo de fala, é preciso estar atento a outros sinais que podem indicar a depressão e a vontade de cometer suicídio. Confira alguns dos sintomas que devem ser acompanhados e levados a sério:

tristeza persistente;
postagens relacionadas a suicídio ou depressão profunda nas redes sociais;
perda de interesse em atividades que antes davam prazer;
fadiga;
falta de energia;
alteração no sono;
irritabilidade;
alterações no apetite;
choro sem razão aparente;
ideias de morte;
dores e sentimento de inutilidade.
Acompanhar a rotina escolar ajuda a observar mudanças comportamentais
Como dissemos, o comportamento suicida é decorrente de uma série de fatores e, ao contrário do que muita gente pensa, esse é um ato construído, e a vítima dá vários sinais de que precisa de ajuda.

Conhecer esses sinais contribui muito para a prevenção. Se a escola perceber que um aluno está expressando pensamentos sobre querer morrer, se ele fala que não tem motivos para viver, comenta sobre se sentir preso ou busca informações sobre métodos de suicídio na internet, é preciso alertar os pais imediatamente e sugerir que encontrem apoio profissional.

É possível que o rendimento escolar também comece a cair, seguido de uma tendência ao isolamento, postura corporal retraída ou agressividade anormal. Vale ainda investigar se ele está sofrendo algum tipo de violência ou discriminação na escola e fora dela.

Ao notar esses sintomas, é preciso aumentar a vigilância. Para crianças pequenas, isso pode ser mais fácil, já que são menos independentes. No entanto, com adolescentes, o esforço pode ser bem maior.

Também é muito importante que os pais e a escola estejam atentos ao paradeiro do aluno. Mas não se deve impedir que ele envie mensagens de texto pelo celular ou use as redes sociais, isso é interação social normal neste momento.

É interessante que pessoas próximas marquem presença nas redes sociais que eles usam nesses canais de comunicação para ficar por dentro do que estão fazendo e ter ciência das pessoas com quem se relacionam. No entanto, aí deve ser estabelecida uma relação de confiança e a privacidade deles deve ser respeitada. Inspecioná-los não é a melhor saída, pois, caso descubram, poderão se sentir traídos. É preciso estar com eles, não contra eles.

Quando estiver com a família, é importante criar oportunidades de se envolver com eles com frequência, como durante as refeições ou passar tempo juntos durante a semana, certificando-se de que permaneça conectado à família e aos amigos para evitar isolamento ― incentivo que também é inerente à escola.

Valorizar o desenvolvimento socioemocional pode mudar o quadro
Desde a mais tenra idade, o desenvolvimento de habilidades socioemocionais é importante para que a criança ou adolescente saiba gerir as próprias emoções e lidar de maneira satisfatória com as adversidades da vida. Para isso, é importante estar sensível aos seus sentimentos e demonstrar empatia, tanto em casa quanto na escola.

Ao trabalhar a gestão das emoções, a escola contribuirá para que ele saiba perceber como lidar com momentos de tristeza, bullying e mesmo se colocar diante de uma situação que o prejudique.

Soma-se a isso a interação positiva. Crianças e adolescentes envolvidos em atividades divertidas tendem a responder melhor, especialmente porque seu foco de pensamento muda.

A relação pais-escola facilita a abordagem
Diante de um possível comportamento suicida, os pais e a escola precisam assumir uma supervisão conjunta. Portanto, é crucial que funcionários e professores estejam familiarizados e atentos a fatores de risco e sinais de alerta.

Toda a equipe da escola deve trabalhar para criar um ambiente onde os alunos se sintam seguros compartilhando essas informações, bem como manter os pais informados sobre seu comportamento no ambiente educativo.


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