ACRE

Em carta aberta, delegado da Polícia Civil do Acre revela crise na Segurança Pública do Estado, denuncia perseguição e aponta o perseguidor

29 Jan de 2019 do YacoNews

"Caros colegas, pedimos licença para fazer uma breve reflexão sobre esse novo momento da nossa Polícia Civil.  Não é novidade para ninguém que a mudança na gestão tem gerado uma verdadeira “caça às bruxas” não só na PC, mas também nos demais órgãos, tudo em nome do chamado antipetismo. 

Na PC temos outro forte ingrediente, isto é, a caça tem como alvos os ditos colegas que  tem ou já tiveram algo que desagradam setores da Polícia Militar do Estado do Acre. Esses dois postulados foram os requisitos imprescindíveis, verdadeiro divisor de águas, desde a escolha dos colegas que compuseram a transição até a efetiva composição da atual gestão na PC. 

Numa classe com cerca de 50 colegas no exercício efetivo da atividade fim, não é incomum que vários colegas tenham passado por alguma função de destaque, ao logo dos quase 20 anos, que o PT ou frente popular ou algo que o valha, estiveram no poder, seja por critério técnico ou político. O que impressiona é o oportunismo, a visão míope do atual governador e principalmente seu vice e, sobretudo, a pessoalidade de quem se aproveita do “momento de poder” para inventar fatos, ocultar verdades, desmerecer avanços e o esforço de colegas que, agindo sim, tecnicamente, e sem fins políticos, colaboraram e deram o sangue para a construção da PC. 

O oportunismo do poder para tentar vincular pessoas “non gratas”, a atual gestão, ao chamado “petismo”, assim como tentar “limpar” a atuação sim política dos mais chegados, no sentido de conseguir proteger, mostra um pouco da PC atual. Devemos obediência à Constituição Federal e as Leis que regem esse país. A Polícia Civil não escolhe investigados e não se melindra em cumprir seu mister. Como princípio basilar, sabemos que parte-se do crime para encontrar o criminoso e não ao contrário. 

Não escolhemos alvos e, portanto, não podemos estar reféns de uma “lei da boa convivência”, onde é melhor fazer “vistas grossas” para alguns segmentos, sob pena de termos sérias intervenções e total ausência de proteção, inclusive institucional. 

As nomeações, exonerações, lotações e demais atos, próprios da gestão, são legítimos e, verdadeiros corolário da administração. 

Todavia, a ausência de transparência, nítidas pessoalidades, perseguições, revanchismo e ódio, tem conduzido a PC à divisão, separação, desunião e um verdadeiro estado de perplexidade e “medo” em todos os seguimentos. 

O grande temor é com o futuro da PC, mesmo a curto prazo. Com tais posturas, podemos garantir que não se construirá uma instituição forte e capaz de atravessar mais um período de crise estrutural e financeira. 

Os cargos são efêmeros, a instituição é permanente, por isso, é urgente que defendamos a PC e não nos deixemos ser consumidos pelo revanchismo, perseguição e o ódio de quem, se assenhorando do título “Homem da segurança pública (Major Rocha)”, transforma a gestão atual (comprometida e colaborando com esses desejos pessoais), em mero porta voz do seu deleite e sentimento de vingança. 

Polícia Judiciária forte se faz com o mínimo de independência, visão ampla e impessoalidade, protagonizado por quem estiver disposto a realizar seu crescimento verdadeiro. "


Att,
Delegado Alcino Júnior

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